terça-feira, 31 de maio de 2011

Indiferença

Pra odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém precisamos de um coração, que ainda frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos da fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, precisamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entende-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio se tivesse uma cor seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão, pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem ai. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existencia. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se da conta de sua ausencia. Não temos o número de telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada...

Martha Medeiros

Nenhum comentário:

Postar um comentário